O que o desfile de inverno 2010 da Chanel, a campanha de verão 09 da Valentino e a capa da Cosmopolitan deste mês (uma das revistas femininas que mais vende no mundo e é a líder de faturamento da editora Hearst) têm em comum? Uma mulher de trinta anos – ou mais.
Foi Karen Elson (30) que abriu a apresentação da marca francesa e é Stephanie Seymour o rosto na publicidade italiana – detalhe: ela já tem quase 40! Kate Moss (35), Claudia Schiffer (38) e Naomi Campbell (38) são outras que estão nos outdoors mundo afora. Já na publicação americana, é Marisa Miller (30), que está dando dicas de ginástica. E no mês anterior, a capa foi com a atriz Ali Larter (33).
Mas seria coincidência? Para Liliana Gomes, diretora da Joy Models, não. As mulheres de 30 – principalmente as tops de um nome só nos anos 1990 (Naomi, Claudia, Linda, Christy, Cindy) – estão aí por três motivos: a moda não tem produzido mais modelos desse nível, os computadores podem corrigir pequenas imperfeições, como rugas e olheiras (o que as coloca lado a lado às garotas de 16), e o mercado atende atualmente a um público maior. “A mulher bem sucedida hoje tem 50 anos. Não é o adolescente que consome Louis Vuitton e Hermès, por exemplo, é essa mulher adulta”, explica.
Quem concorda com ela é Monica Monteiro, agente de modelos há 25 anos no mercado. Para ela, outro fator é que as tops das antigas causam mais furor. “Não adianta nada ser novinha, linda, cobrar um cachê mais baixo, mas não chamar tanto a atenção”, diz. Caminho natural, então, para que marcas tradicionais retornem à certeza dos rostos mais famosos na hora de anunciar em tempos de crise – nenhum passo pode ser em falso, não é mesmo?
Mas, se os ventos do hemisfério norte são bastante favoráveis às balzaquianas, por aqui, é bem diferente. Exceto por modelos-musa como Geanine Marques e Luciana Curtis (32), é difícil vê-las nas passarelas. “O Brasil é preconceituoso”, dispara Cássia Ávila (34), que foi modelo por 20 anos e agora apresenta o programa Hiperativa, na TV iG. Segundo ela, aqui as pessoas têm medo. “Ai, será que ponho na campanha? Ai, ela está velha” é o que mais se ouve. Mas é ela que indica qual seriam as respostas para essas questões: “Essa semana mesmo fiz uma foto para uma revista com a Silene (Zepter, 37), que eu não via fazia tempo, e ela está idêntica!”, diz Cássia.
Aliás, a tal foto tinha uma tropa de ex-modelos brasileiras, além das duas, Lara Gerin (37), Claudia Liz (38), Chiara Gadaleta e Beth Prado – todas que encontraram outras profissões depois dos 30 e só modelam esporadicamente.
Como lembrou Monica Monteiro, por aqui, “só celebridade acima dos 30 faz publicidade de moda”. Na agência que ela cuida, por exemplo, há uma modelo com 30 e outra com 40, num casting com mais de 50 mulheres. Credita-se a pouca valorização das mulheres mais velhas nas campanhas de moda no Brasil o fato do país ser considerado jovem. Mas, segundo dados de 2008 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a população adulta está aumentando e o quadro pode se inverter. "O avanço da medicina e as melhorias nas condições gerais de vida da população repercutem no sentido de elevar a média de vida do brasileiro”. Pois bem, é preciso abrir o olho – e rápido.
Maíra Goldschmidt
Blusa verde
Há 10 anos

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